A milagrosa cura
duma mulher portuguesa

 

Por Maria Rita Scrimieri, Cooperadora Salesiana

Maria Madalena Azevedo Gomes Fonseca nasceu em 7 de Agosto de 1944, numa freguesia portuguesa de Vila Nova de Famalicão, não longe de Balasar, terra natal de Alexandrina Maria da Costa.

Desde criança, com a idade de cerca de 7 anos, conheceu a Alexandrina, ainda viva, pois que o pai a levou consigo a Balasar para rezar com a Alexandrina pela mulher, Albina, que adoecera gravemente depois do nascimento do terceiro filho.

Daquela visita no quartinho, aonde várias pessoas se dirigiam a visitá-la, atraída pela fama de santidade, Madalena recorda o beijo à Alexandrina: «Uma pessoa que estava junto da Venerável, a pedido desta última, pegou-me nos braços para eu beijar a serva de Deu. Ela estava na cama paralisada e recordo vagamente que a serva de Deus também me beijou.»

Desde a infância a vida de Madalena foi uma vida difícil, marcada primeiro pela doença da mãe e sucessivamente pelos sofrimentos próprios, físicos e psicológicos, que ela enfrentou sempre com muita força de ânimo e sentido de responsabilidade para com a família.

Quando Madalena se casou, em 1963, foi a Balasar com o marido João, que ofereceu à Alexandrina o ramo de noiva, colocando-o na campa. Também o marido João tinha conhecido a Alexandrina, aos 15 anos. «Visitei-a – recorda João – no seu quartinho de Balasar. Havia muitas pessoas algumas das quais me deixaram gentilmente estar junto da sua cama. A devoção à serva de Deu era muito grande na minha família.».

Com o casamento, começaram porém novos sofrimentos para Madalena e João. Tiveram três filhos, mas Madalena teve de enfrentar sérias dificuldades económicas, pois o marido ganhava pouco e frequentemente voltava a casa alterado pelas bebidas alcoólicas. Em 1970, a família decidiu emigrar para França. Também a irmã de Madalena, Rosa Maria, com o marido e o filho, doente mental, partiu com eles.

Trabalhava 16 hora por dia

Na França, Madalena trabalhava 16 horas por dia; além de cuidar da própria família, trabalhava na fábrica e fazia limpeza em casas privada. Sofria de fortes e frequentes cefaleias, pelas quais foi várias vezes internada no hospital. Em 1974, foi internada por intoxicação de remédio, que tinha tomado abusivamente após a enésima desilusão, pois o marido tinha entrado em casa embriagado. Daí para afrente ele corrigiu-se e comportou-se dum modo mais responsável.

Em 1983, quando Madalena tinha 39 anos, começou a manifestar-se a primeira sintomatologia, que posteriormente será diagnosticada como doença de Parkinson.

Em pouco tempo Madalena perdeu a força física e foi atingida por uma hemiparesia direita. Não conseguiu mais andar de bicicleta, sentia-se sempre muito fraca. Por intervalos, sentia-se melhor, para depois recair no memo sofrimento: faltavam-lhe a força física, sentido do equilíbrio, caídas inesperadas, incontinência.

Emagreceu 16 quilos em pouco tempo até chegar a pesar 33 quilos.

Tornou-se depois rígida e foi obrigada a passar boa parte do tempo sentada ou deitada. Perdeu também a sensibilidade, pelo que deixou de sentir o calor: quando a irmã a lavava, escaldava-se porque a água estava a ferver, mas para a Madalena estava sempre fria. Foi preciso até dar-lhe de comer pois já não podia alimentar-se por si.

«Às vezes chorava – conta a Madalena – mas normalmente distraía-me com a visita de familiares e pessoas amigas. Nunca desanimei completamente; mantive sempre a esperança de curar.»

Durante o último internamento na clínica, um domingo, a irmã Rosa Maria com o marido foram visitar a Madalena. As enfermeiras levavam-na em braços dum andar para outro, porque o elevador estava estragado. A Madalena confusamente protestava, pois insistia em querer andar. O cunhado, para a acalmar, tomou-a nos braços e levou-a para o quarto deitando-a na cama.

Entretanto Madalena disse-lhe: «Era preciso que tu viesses cá levar-me ao meu quarto». E continuou: «Sabes que vou começar a andar? Eu sonhei isso e vai ser contigo que vou começar a andar.» O cunhado não acreditou e rematou dizendo: «Sim, é preciso, porque estou cansado de te levar em braços!...»

É a primeira sexta-feira do mês. Naquele dia, todos os meses, a Madalena recebe a Comunhão do pároco, que a vai visitar a casa. É também a primeira sexta-feira da Quaresma. Conta a irmã: «Na semana da cura, a Madalena passou sempre a noite em minha casa, porque o marido trabalhava no turno da noite. Na sexta-feira era também a primeira sexta-feira do mês de Março e ainda a primeira sexta-feira da Quaresma; pela uma, quando chegou o meu cunhado, queria levá-la a casa para a Comunhão, mas a minha irmã naquele dia estava muito teimosa e não quis ir. Ele voltou daí a uma hora e eu disse-lhe: «João, deixa-a estar.» Mas ele respondeu: «Não, porque o sacerdote leva-lhe a Comunhão.» Eu sugeri-lhe: «Pode comungar aqui em minha casa.» Mas ele respondeu-me: «Não, porque já comprei as flores para colocar no altar onde vai ser posto o Santíssimo.» Então levou-a para casa. Depois de ela ter comungado, trouxe-ma dizendo: «Toma esta pérola, porque hoje quer estar em tua casa.» Eu relaciono esta teimosia de a minha irmã querer estar em minha casa com o sonho que tinha tido dias antes, segundo o qual iria começar a andar em companhia do meu marido, e talvez fosse um por pressentimento misterioso. Pelas sete horas estávamos nós a cear e ela estava sentada no sofá. A certa altura, o meu marido ouviu-a respirar dum modo diferente. Levantou-se depressa da mesa e foi ver o que se passava, com receio que morresse: «A tua irmã está a morrer, eu vou chamar a ambulância para a levar ao hospital.» De facto estava branca como a cal, com olheiras e a boca aberta. Não cheguei a chamar a ambulância, porque, enquanto estava ao telefone, Madalena começou a mexer uma perna, coisa que de há tempos não podia fazer. Começou a levantar-se devagar, devagar, como uma criança. O meu marido pôs-se à frente dela e ela deu os primeiros passos. Foi capaz de fazer os exercícios que antes não estava em modo de fazer e senti que uma força nova lhe invadia o corpo. Começou a saltar e a descer a escadas repetidamente. Foi chamado o médico assistente que veio depressa. E ele disse : «Eh, eu vejo.» E ela acrescentou: «Graças a Deus e à medicina!» Ele corrigiu, apontando o dedo ao céu: «Não à medicina. Graças a Deus, porque não existem remédios para a sua doença!» Voltou-se e começou a chorar.

 Eis como Madalena conta a sua cura: «Comecei a pedir a minha cura por intercessão da Venerável Alexandrina pouco antes de me sentir curada. Fiz-lhe uma novena e acabada ela aconteceu a cura.

Um dia, não podendo limpar o pó dum quadro da serva de Deus, pensei pô-lo num armário pelo respeito que me inspirava. Pus-me a contemplá-lo e pedi-lhe com insistência que me curasse. Naquele momento senti em mim qualquer coisa que interiormente me impelia a invocar a sua intercessão. Não conseguia separar-me do quadro. A oração saiu-me espontânea: «Meu Deus, se a vossa serva se encontra junto de Vós, fazei que, por sua intercessão, eu fique curada para a vossa glorificação neste mundo e para a vossa santa glória e para eu poder ajudar a minha nora e a todos aqueles que precisam de mim.»

Normalmente eu estava habituada a pedir o auxílio de Nossa Senhora e ainda hoje não sei explicar porque me recordei de invocar a Ven. Alexandrina. Sei que me senti curada em 3 de Março de 1995, primeira sexta-feira do mês e da Quaresma. Sei pela minha família que naquele dia me senti muito mal e chamaram o médico. Recordo que recebi a Comunhão pelas quatro horas da tarde, como era costume trazerem-ma nas primeiras sextas-feiras do mês».

É de notar que Madalena, do dia da cura, recorda só o momento da Comunhão. Não recorda nada de quanto aconteceu antes, mas recorda tudo o que aconteceu depois da cura. O resto conta-o por «tê-lo ouvido dizer» aos familiares.

«Disseram-me – prossegue – que meu marido me tomou nos braços e me levou a casa da minha irmã Rosa Maria, que morava perto da minha casa. Segundo me contou a minha família, pelas seis e meia, sete horas, senti-me curada. Inesperadamente senti que me tocaram. Não posso explicar, porque não houve nenhum contacto exterior. Então dei-me conta de que estava à minha frente a minha irmã, o marido dela, a filha Fátima, minha sobrinha. Perguntei ao meu cunhado se estava a incomodar. Disse-me: «Deitamo-la e chamamos uma ambulância para a levar ao hospital.» Eu disse-lhe: «Tens a cabeça no sítio? Eu sinto-me bem.» Senti imediatamente uma força que me levantou e comecei a fazer movimentos que desde há muito não conseguia fazer. Não consigo explicar o que me aconteceu.»

A incredulidade do marido

A própria Madalena na manhã seguinte quer ir ter com o marido, que tinha regressado depois do turno da noite do trabalho e que, avisado pelo filho da cura, não queria crer.

O marido recorda aqueles momentos com estas palavras: «Pelas cinco e meia da manhã, a minha mulher veio a casa, acompanhada da irmã Rosa Maria. Foi ela própria a querer dar-me a notícia da sua cura. Quando a vi curada, caímos nos braços um do outro e, comovidos, choramos de alegria. Naquele sábado fomos à Missa vespertina na nossa paróquia, em sinal de gratidão pela graça recebida. Pouco tempo depois, a pedido do Pároco e do grupo de oração que a minha mulher frequentava, leu um testemunho da sua cura na nossa paróquia e na da freguesia vizinha.»

Traduzido do «Osservatore Romano», Abril de 2004