Alexandrina MARIA DA COSTA

Alexandrina Maria da Costa nasceu a 30 de Março de 1904 na freguesia de Balasar, concelho da Póvoa de Varzim, arquidiocese de Braga, e aí morreu no dia 13 de Outubro de 1955.

Desde a infância denota robustez física, tempera­mento vivo e brincalhão: “Os fidalgos — dizia a mãe — têm um bobo para os fazer rir, e eu não sou fidalga, mas também tenho aqui quem esteja a fazer festa!”

1911-1912: Frequenta a primeira classe na Póvoa de Varzim, pois em Balasar só havia escola primária masculina; a feminina só foi introduzida em 1931. É na Póvoa de Varzim que, preparada pelo Padre Álvaro Matos, recebe a primeira Comunhão:

«... Fitei a Sagrada Hóstia que ia receber de tal maneira que me ficou tão gravada na alma, parecendo-me unir a Jesus para nunca mais me separar d’Ele. Parece-me que me prendeu o coração. A alegria que eu sentia era inexplicável».

1913-1917: Pelos nove anos de idade, começa a trabalhar nos campos; mais tarde, é obrigada àquelas fadigas como serviçal, para ganhar o seu pão.

1918: No Sábado Santo daquele ano, salta de uma janela, da altura de mais de três metros, para escapar à paixão de um homem que se infiltrara em sua casa. Em consequência da queda, começou a sofrer de mielite comprimida na espinha dorsal, doença que só mais tarde virá a ser descoberta através de exames clínicos, e da qual resultará uma paralisia progressiva (relatório clínico do Dr. Manuel Dias de Azevedo).

Passam-se mais seis anos de doença, ora a pé, ora de cama.

1924: Em Junho, com muito sacrifício, toma parte no Congresso Eucarístico de Braga: a partir de então não voltará a sair de casa a não ser de maca!

1925: Em 14 de Abri, acama definitivamente. Sua irmã, Deolinda, torna-se a sua enfermeira, pois a mãe tem de tratar dos trabalhos do campo. Deo­linda trabalha como costureira em casa.

1928: Por ocasião de uma peregrinação paroquial a Fátima, volta a acalentar a esperança da cura, mas a graça não lhe é concedida. Lemos na Autobiografia: «Morreram os meus desejos de ser curada, e para sempre, sentindo cada vez mais ânsias do amor ao sofrimento e de só pensar em Jesus».

1930: No mês de Maio, escreve na capa de um livrinho: «Ó minha querida Mãe do Céu, vinde apre­sentar ao Vosso e meu querido Jesus, nos vossos sacrários, as minhas orações, e fazer mais valiosos os meus pedidos... Dizei-Lhe também que quero muitos sofrimentos, mas que não me deixe sozi­nha nem um momento».

Nessa altura, todas as manhãs repete, entre outras, a seguinte oração: «Uno-me em espírito, neste momento, e desde este momento para sempre, a todas as Santas Missas que de dia e de noite se celebram na terra. Jesus, imolai-me conVosco a cada momento no altar do sacrifício; oferecei-me conVosco ao Eterno Pai pelas mesmas intenções por que Vós mesmo Vos ofereceis».

1931-1932: Durante as suas orações e ofertas a Jesus, começa a sentir um calor intenso que parece queimar-lhe o coração; sente-se como que arroubada. Num desses momentos ouve no seu íntimo a seguinte inspiração: sofrer, amar, reparar.

Não percebe o que essas palavras exijam dela: «Ó meu Jesus, que quereis que eu faça?», pergunta uma e mais vezes, mas em resposta não sente senão aquelas três palavras.

1933: Em 16 de Agosto, vem a Balasar pregar um traduzo ao S. Coração de Jesus o Pe Mariano Pinho, S. J. Nessa ocasião, a Alexandrina obtém que ele seja o seu director espiritual. Aquele sacerdote inspira-lhe muita confiança: gradualmente ela lhe irá expor os problemas da sua alma.

1934: «Foi em Setembro de 1934 que eu compreendi que era a voz de Nosso Senhor e não uma exigência, como julgava. Foi então que Ele me pediu e falou assim: “Dá-me as tuas mãos, que as quero crucificar; dá-me os teus pés, que os quero cravar comigo; dá-me a tua cabeça, que a quero trespassar com a lança, como Me trespassaram a Mim. Consagra-me todo o teu corpo; oferece-te toda a mim!..”»

A frase «compreendi que era a voz de Nosso Senhor» é muito significativa. Com efeito, a ver­dadeira experiência mística é caracterizada pela ini­ciativa de Deus, particularmente forte: de uma força tal, que a alma possa reconhecê-la não como vinda de si própria, mas de Deus.

No princípio de Outubro, escreve ao seu direc­tor: «Diz-me Jesus que se serve de mim para que, por mim, vão a Ele muitas almas e, por mim, sejam excitadas a amá-Lo na SS. Eucaristia» (Cartas ao Padre Pinho: 4-X-34).

A 14 de Outubro, a Alexandrina, com o sangue feito sair por meio de um alfinete, escreve no verso de uma estampa: «Com o meu sangue Vos juro amar-Vos muito, meu Jesus, e seja tal o meu amor, que morra abraçada à cruz! Amo-Vos e morra por Vós, meu querido Jesus, e nos Vossos sacrários quero habitar, meu Jesus».

Numa carta ao Pe Pinho, escrita em 1 de Novembro, lê-se: «(Jesus) exige de mim que, assim como Ele me era fiel em habitar em mim para me consolar, queria que eu Lhe fosse fiel em habi­tar em espírito em todos os sacrários para o con­solar e amar».

1935: Jesus diz-lhe: «Dá-me o teu sangue pelos pecados do mundo. Aluda-me no meu resgate. Sem mim não podes nada; comigo terás poder para tudo, para acudires aos pecadores e a muitas, muitas coisas» (Cartas ao Padre Pinho: 3-1-35).

Em 30 de Julho, depois da Comunhão Jesus ordena-lhe: «Manda dizer ao teu director espiritual que, em prova do amor que dedicas à minha Mãe Santíssima, quero que seja feito todos os anos um Acto de Consagração do mundo inteiro... Assim como pedi a S. Margarida Maria para ser o mundo con­sagrado ao meu Divino Coração». (Cartas ao Padre Pinho: 1-8-35).

A Alexandrina responde: «Sou a Vossa vítima, a vítima da Eucaristia a lampadazinha das vos­sas prisões de amor, a sentinela dos vossos sacrá­rios! O Jesus, eu quero ser vítima dos sacerdotes a vítima dos pecadores a vítima do mundo inteiro, vítima da paz, vítima da Consagração do mundo à Mãezinha».

1936: A 7 de Junho, festa da SS. Trindade, a Alexandrina experimenta pela primeira vez a morte mística, que exteriormente se apresenta como uma morte aparente; fenómeno misterioso que tem sido comparado pela teologia cristã à transformação da lagarta em borboleta, na medida em que Deus, atra­vés dele, purifica as almas e as torna cada vez mais sublimes. (Santa Teresa, S. João da Cruz).

No dia 11 de Setembro, o Padre Pinho envia ao Cardeal. Pacelli o pedido para o mundo ser consa­grado ao Coração Imaculado de Maria.

1937: A 2 de Fevereiro, a Santa Sé encarrega o Arcebispo de Braga de estudar o caso da Alexandrina e de fornecer informações claras acerca do pedido da consagração do mundo a Maria. (Cfr. Cristo Gesù in Alexandrina, pág. 707).

No êxtase de 31 de Outubro, diz-lhe Jesus: «Minha filha, Eu escolhi-te para coisas mais subli­mes! Servi-me de ti para comunicar ao Papa o desejo que tenho que seja consagrado o mundo à minha Mãe Santíssima» (Cartas ao Padre Pinho: 1-11-37).

1938: Depois de um retiro espiritual iniciado em 30 de Setembro, no seu quartinho, sob a orientação do Pe Pinho, Jesus prediz-lhe, no êxtase de 2 de Outubro, que ela iria sofrer toda a Sua santa Paixão pela primeira vez em 3 de Outubro, e em seguida todas as sextas-feiras, das 12 horas às 15.

«Não disse que não a Nosso Senhor. Preveni o meu director espiritual de tudo o que Nosso Senhor me disse. Esperava o dia e a hora com grande aflição, pois nem eu nem o meu director fazíamos ideia do que se ia passar. Na noite de 2 para 3 de Outubro, se era grande a agonia da alma, também foi grande todo o sofrimento do meu corpo... Foi neste sofrimento que eu fui para a primeira crucifixão. Que horror eu sentia em mim! Que medo e até pavor!».

A experiência da Paixão revivi-a, conforme nos surge através da narração da Alexandrina, não nasce, propriamente, do sentimento, da emotividade, da meditação e reflexão dela, ainda que as suas disposições tenham podido ser, sob certos aspectos, um elemento útil para abrir caminho ao carisma divino.

1939: A 20 de Janeiro, durante o êxtase, Jesus confia-lhe que continuará a reviver a Paixão daquela maneira até o mundo ser consagrado à Mãe Ima­culada. (Carta ao Padre Pinho).

A 20 de Março, pouco tempo depois da elei­ção de Pio XII, Jesus prediz-lhe que será esse Papa a consagrar o mundo a Maria.

A 28 de Junho, prediz-lhe a guerra, em castigo dos graves pecados cometidos pelo mundo; e então ela oferece-se vítima pela paz. (Carta ao Pe Pinho).

1940: A 4 de Julho oferece-se vítima com outras almas em união com Nossa Senhora, para obter que ao menos Portugal seja poupado aos hor­rores da guerra. Jesus aceita a oferta e afirma categoricamente: «Portugal será poupado à guerra». (Carta ao Pe Pinho). Assim aconteceu.

Em Dezembro, Jesus assegura-lhe que também o Santo Padre seria poupado aos horrores da guerra, mas que haveria de sofrer muito, moralmente. (Carta ao Padre Pinho: 6-12-1940).

1941: Encontra-se pela primeira vez com o Dr. Manuel  Dias de Azevedo. Daí em diante, aquele médico prestar-lhe-á assistência com todo o cari­nho e dedicação até à morte.

No dia 29 de Agosto, o Padre José Alves Terças, da Congregação dos Missionários do Espírito Santo, assiste à Paixão; seguidamente publicará um relato do que viu e ouviu no nº 10 da revista «Vida de Cristo, a Paixão dolorosa», vol. V, Lisboa, 1941.

1942: É-lhe tirado o seu director espiritual. No dia 27 de Março, sofre pela última vez a Paixão na sua forma de participação física.

Na sexta-feira seguinte, 3 de Abril, Sexta-feira Santa, não volta a sofrer a Paixão na referida forma, mas revive no seu íntimo as várias fases dela. No mesmo dia, Jesus diz-lhe: «Não temas, minha filha, que não és mais crucificada. A crucifixão que tens é a mais dolorosa que se pode ima­ginar na história». (Diário, 3-4-1942). Quer dizer que, desde então, ela participaria mais intensamente ainda em todos os sofrimentos morais e espirituais se Jesus, na Sua Paixão, sem manifestações externas.

Neste período, as suas condições físicas agravam-se muito; chegam a tal ponto que, em certo dia, parece estar prestes a exalar o último suspiro e recebe a Santa Unção; dita as suas últimas disposições.

Contrariamente ao que se esperava, não morre fisicamente, mas começa para ela uma segunda morte mística, que irá durar perto de dois anos.

Nesse mesmo período, começam também o jejum e a anúria completos, que vão durar até à morte. Alimentar-se-á apenas da Hóstia consagrada, durante mais de 13 anos!

No dia 31 de Outubro o Santo Padre faz a con­sagração oficial do mundo ao Imaculado Coração de Maria. (Cfr. Cristo Gesù in Alexandrina pág. 117).

1943: De 10 de Junho a 20 de Julho, é internada na clínica «Refúgio da paralisia infantil» da Foz do Douro, sob a observação do Dr. Gomes de Araújo. A autoridade eclesiástica dispusera que se proce­desse a um rigoroso controlo acerca do jejum e da anúria, em que muitos não acreditavam; também os médicos desejavam verificar o fenómeno com o máximo rigor. O relatório elaborado pelo Dr. Gomes de Araújo conclui com estas palavras: «E abso­lutamente certo que durante 40 dias em que a Alexandrina esteve internada no “Refúgio» não comeu nem bebeu, nem urinou, nem defecou.

1944: Apesar do referido teste, continuam a espalhar-se dúvidas e falatórios sobre o seu jejum e a sua vida cheia de carismas; para ela, isto e motivo de indizíveis sofrimentos, tanto mais que se encontra privada de um guia espiritual. A Providência divina vem ao seu encontro deparando-lhe um Sacerdote salesiano a cuja direcção se confia. Este, ao dar-se conta de que na Alexandrina há o dedo de Deus, impõe-lhe que dite o seu diário até à morte.

Faz-lhe de secretária heróica sua irmã Deolinda, «aquele anjo que Deus pusera ao seu lado como enfermeira».

No dia 1 de Dezembro, dá-se o matrimónio místico, ou seja o estado de união amorosa entre Deus e a sua alma. Jesus diz-lhe: «Tu és esposa e és mãe, mãe que não deixa de ser virgem. És mãe dos pecadores…».

No dia seguinte, sábado, Nossa Senhora con­firma-lhe as palavras do Filho e acrescenta: «Aceita o meu santíssimo manto, aceita-o... Podes cobrir com o meu manto o mundo inteiro, chega para todos. Aceita a minha coroa... és rainha».

1945: Sofre por ter a impressão de que é causa de pecado e de que ela é o próprio pecado personificado, e repara pelas várias categorias de pecados.

Acentuam-se, tornando-se mais frequentes e vio­lentos, os assaltos do demónio.

Ao mesmo tempo, experimenta diversos graus da transformação da sua alma em Cristo: «Quero, minha filha, dilatar-te o coração, quero fazê-lo grande, grande como o meu divino amor... Envolve-o no mundo que nele depositei». (Diário, 3-3-45).

E, passados alguns meses: «Tomou em Suas divinas mãos o meu coração e fez dele uma grande bola que momentos depois colocou no lugar do coração. E disse-me: «Minha filha, o teu coração é uma bola de amor...». (Diário, 22-6-45). «Minha esposa, minha rainha, vives de Mim, a tua vida é a minha, estou transformado em ti, eis porque a tua vida é divina... Tu és a fonte e Eu a água que corre nela, que lava e purifica...». (Diário, 1-9-45).

1946: As articulações dos braços e das vértebras desconjuntam-se; o Dr. Azevedo resolve enfaixar-lhe o corpo todo e colocá-la em cima de tábuas; assim ficara até à morte. (Diário, 4-10-46).

Novos exames de teólogos e médicos deixam-na num estado lastimoso. (Diário, 26-11-46).

1947: Sente-se muito mal de saúde e escreve por seu próprio punho, com indizível sacrifício, a sua carta-testamento aos pecadores: “Levei a minha vida a sofrer, e levarei o meu Céu a amar e a pedir a Jesus por vós, ó pecadores. Convertei-vos e amai a Jesus; amai a Mãezinha Vinde, vamos todos para o Céu! Se sentísseis, por algum tempo, os martírios que por vós sofri, estou convencida que não pecaríeis mais; e, se conhecêsseis o amor de Jesus, então morreríeis de dor por O terdes ofendido. Não pequeis! Não pequeis! Jesus criou-nos Jesus e Pai!» (Diário, 25-7-1947).

1948: Cheia a transbordar da caridade de Cristo, intensifica o seu apostolado paroquial e o auxílio aos pobres que a ela recorrem cada vez mais numerosos; auxilia as vocações, o Seminário e as Casas Religiosos de formação.

Aumenta sempre mais o número das pessoas que a vão visitar para se aconselharem. Jesus diz-lhe: «Acodes com a tua dor. Confia que a tua dor é para as almas mais do que a água é para os peixes; a tua dor é para as almas mais que o sol é para a terra». (Diário, 6-2-48).

A 14 de Julho, escreve por sua mão o epitáfio a ser gravado na própria campa: «Pecadores, se as cinzas do meu corpo vos têm utilidade para vos salvardes, aproximai-vos, passai por cima delas, calcai-as até que desapareçam, mas não pequeis mais, não ofendais mais vezes o nosso Jesus. Pecadores, tantas coisas queria dizer-vos! Não me chegava este grande cemitério para as escrever!... Convertei-vos! Não ofendais a Jesus, não queirais perdê-Lo eter­namente. Ele é tão bom! Basta de pecar! Amai-O! Amai-O!»

A 23 de Setembro, recebe a última visita do seu segundo director, obrigado a voltar para a Itá­lia. Ela continuará, no entanto, a enviar-lhe as páginas do seu diário até à morte.

Depois de lhe ter sido tirado também o segundo director, Jesus diz-lhe: «... Eu sou o Artista divino e faço no teu nada a arte mais maravilhosa... E com a tua cegueira que Eu dou luz às almas». (Diário, 1-10-48).

1949: Jesus promete-lhe que chamará junto da sua campa muitos pecadores e que os há-de converter. (Diário, 2-9-49).

A Virgem do Rosário aparece-lhe com o terço nas mãos e diz-lhe. «O mundo agoniza e morre no pecado. Quero oração, quero penitência. Enrola, minha filha, neste meu rosário os que amas... enrola o mundo». (Diário, 1-10-49).

1950: No êxtase de 28 de Julho, Jesus diz-lhe: «Dá-me a tua reparação, e escuta a minha urgente mensagem. Eu quero que Sua Santidade o Papa, o meu querido representante na terra, faça ao mundo o seu último apelo... Oração, oração e penitência, renovação de vida, vida nova, vida pura...».

Mais tarde, em 1 de Setembro, acrescenta: «Minha filha, une à minha angústia a tua angústia, à minha agonia a tua agonia e ao meu o teu calvário: é Calvário de dor, é Calvário de salvação». (Diário, 1-9-50).

A Alexandrina participa nos sofrimentos de Cristo e recebe até os estigmas, que ficarão sempre invisíveis, mas dolorosíssimos. Jesus diz-lhe:

«Minha filha, tiro bálsamo das Minhas chagas para as tuas, ocultas, mas dolorosas, bem profundas, para que as tuas mãos semeiem pelas chagas dolo­rosas a minha semente divina e para que os teus pés não caminhantes, pela chagas abertas arranquem dos caminhos errados as almas que correm para a perdição... Tiro bálsamo das feridas da minha sacrossanta cabeça para a tua, para suavizar a dor dos teus espinhos, para mais forte poderes com este sofrimento arrancar dos espíritos as más inclinações e pensamentos criminosos... Do meu Divino Coração tiro bálsamo amoroso, bálsamo de fogo, para que me ames e faças amado, para que ateies este fogo, este amor, para que possuas sempre a ternura e a doçura do meu». (Diário, 1-9-50).

1951: No êxtase de 19 de Janeiro, Jesus solicita: «Depressa, depressa, mais orações, mais penitência!... Depressa, depressa a renovar a vida e os costumes... Depressa, filhos meus». A Alexandrina responde: «Depressa, dizeis Vós; agora digo eu: Esperai Vós... Vós dizeis «depressa» para que se convertam; e eu digo: «esperai, dai-lhes tempo, Jesus... Sou a vossa vítima, Jesus, sou a vossa vítima, e quero perdão para o mundo». (Diário, 19-1-51).

A alma vítima torna-se cada vez mais semelhante à Vítima divina. A identificação da Alexandrina com Cristo vem a realizar-se desde há anos:

«Tu vives com a minha vida, sofres com a minha dor, amas com o meu amor. Vives com a minha vida, porque com ela te faço viver; sofres a minha dor, porque ta faço sentir, porque és vítima para Me repararem. Amas com o meu amor porque to infundi em teu coração para com ele me amares e fazeres que Eu seja amado». (Diário, 23-11-51).

1952: A 18 de Janeiro, lemos no Diário: «Não sei que sinto a mais no coração. Parece que dentro dele tem alguém que, à semelhança dos pescadores, deita redes e mais redes para apanhar este mundo imenso de almas. Quantas mais redes saem para fora do coração, mais redes tem para deitar. E que ânsias infinitamente grandes de as possuir todas, todas cheiinhas! Que tarefa, que canseira incessante!”.

A partir desse ano, aumenta muitíssimo o número das pessoas que vão vê-la e pedir-lhe conselho; as conversões não têm conta.

Apesar de tudo isso, sente muito acerbamente outro sofrimento: a impressão de que toda a sua vida e o seu martírio tenham sido inúteis: «Tornou-se por completo inútil todo o meu viver». (Diário 16-5-52).

1953: Porém, a 9 de Janeiro, diz: «Só a espe­rança e a confiança são o bálsamo do meu sofrer. Não sinto que confio, mas confio... A vida sem dor seria para mim insuportável... Não há nada que se compare com a doçura da cruz, quando a aceitamos e levamos por amor». (Diário, 9-1-53).

A propósito da agonia no Calvário, diz: «Eram segredos e mistérios divinos.., eram segredos, mis­térios de redenção». (Diário, 1-5-53).

A Alexandrina compreendeu o grande valor salvífico do sofrimento. E Jesus diz-lhe: «Sou o Sol, a Vida, o amor do teu coração... É sol, vida e amor divino. Dou-me, comunico-me por ti às almas... Estás na vida pública de Jesus». (Diário, 15-5-53).

No êxtase de 20 de Novembro, Jesus diz-lhe também: «Escolhi este calvário por amor dos pecadores, por amor da humanidade inteira... Sou Eu, Jesus, a dar-lhe o título «Calvário dos pecadores»». (Diário, 20-11-53).

A 25 de Dezembro tem o último êxtase público, êxtase que sucedia normalmente à Paixão vivida no seu íntimo.

1954: Ao comemorar neste ano o 12º aniversário do início do seu jejum e anúria completos, Jesus confia-lhe: «Pus-te no mundo, faço que vivas só de Mim para mostrar ao mundo o valor da Eucaristia e o que é a minha vida nas almas. És luz e salvação para a humanidade». (Diário, 9-4-54).

Em Maio, escreve ao Pe Pinho: «Oh! Como eu precisava do meu Padre junto de mim para lhe abrir a minha alma, para lhe mostrar um livro de páginas sem fim que tenho no coração. Livro este que só à luz da eternidade se pode compreender e ler todo. Nele estão escritas as ânsias de me dar, de me consumir no amor de Jesus e de a Ele conduzir todas as almas, todas, mesmo todas. Não posso consentir na perda de uma só... Ai, quanto fala este livro!». (Cartas ao Padre Pinho, 2-5-54).

Este livro vivo é o próprio Jesus crucificado com quem a Alexandrina se sente identificada.

No mês de Setembro, Jesus diz-lhe: «A tua vida é a minha Paixão contínua..., é paixão mística, mas de tal forma que nela encerra toda a minha santa Paixão». (Diário, 24-9-54)

Poucos dias volvidos, lê-se no Diário: «Neste momento, pela chaga do Seu Divino Coração saiu um clarão tão grande e uns raios tão luminosos que irradiavam tudo. Pouco depois, de todas as Suas chagas divinas saíam raios que me vinham trespassar os pés e as mãos. Da Sua sacrossanta cabeça para a minha passava-se também um «sol» que me trespassava todo o cérebro. Falando do primeiro clarão e raios que saíam do Seu Divino Coração, disse Jesus com toda a clareza: «Minha filha, à semelhança de Santa Margarida Maria, Eu quero que incendeies no mundo este amor tão apagado nos corações dos homens. Incendeia-o, incendeia-o. Eu quero dar, Eu quero dar o meu amor aos homens, Eu quero ser por eles amado. Eles não mo aceitam e não Me amam. Por ti quero que este amor seja incendiado em toda a humanidade, assim como por ti foi consagrado o mundo à Minha Bendita Mãe. Faz, esposa querida, que se espalhe no mundo todo o amor dos Nossos Corações». (Diário, 1-10-54).

Apesar de tudo isto, sofre terríveis crises de fé e sente-se em trevas. Lemos no Diário: «Repeti o meu creio com muito custo; dizia a Jesus o meu creio, espero e confio, mas a parecer uma mentira constante». (Diário, 8-1 0-54).

 1955: A 7 de Janeiro, Jesus prediz-lhe a morte:

«Estás no teu ano! estás no teu ano! Confia, tem confiança em Mim!».

A 11 de Fevereiro, Jesus conforta-a: “Coragem, minha filha; o teu quarto, a tua vida, quantos ensi­namentos dão ao mundo! É a escola divina a ensinar os humanos. É luz de Deus a iluminá-los nas trevas». (Diário).

No dia 13 de Outubro, aniversário da última aparição de Nossa Senhora em Fátima, a Alexandrina vai para o Céu: o seu coração, consumido pelo amor, cessa de pulsar às 20 horas e 29 minutos.

Por sua expressa vontade foi sepultada de rosto voltado para o Sacrário da sua igreja, como sinal do seu amor a Jesus Eucarístico.

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