A Beata Alexandrina
e
a Consagração do mundo
ao Imaculado Coração de Maria
(1942)

Glória, glória, glória a Jesus!
Honra, honra e glória a Maria!

Glória, glória, glória a Jesus!

Honra, honra e glória a Maria!

O coração do Papa, o coração de oiro, está resolvido a consagrar o mundo ao Coração de Maria!

Que grande dia e que alegria para o mundo, pertencer mais que nunca à Mãe de Jesus!

Todo o mundo pertence ao Coração Divino de Jesus; vai pertencer todo ao Coração Imaculado de Maria!

22/5/1942

Palavras de Jesus à Alexandrina face à iminência da Consagração

Ave, Maria, Mãe de Jesus, Mãe de todo o universo!

Ave, Maria, Mãe de Jesus!

Honra, glória e triunfo para o seu Imaculado Coração!

Ave, Maria, Mãe de Jesus, Mãe de todo o universo!

Quem não quererá pertencer à Mãe de Jesus, à Senhora da Vitória?

O mundo vai ser consagrado todo ao seu Materno Coração!

Guarda, Virgem pura, guarda, Vir­gem Mãe, em teu Coração Santíssimo, todos os filhos teus!

 29/5/42

Palavras da Alexandrina pronunciadas em êxtase face à iminência da Consagração

Por ti foi con­sagrado o mundo à minha Bendita Mãe

Minha filha, à semelhança de Santa Margarida Maria, eu quero que incendeies no mundo este amor tão apagado nos corações dos homens.

Incendeia-o, incendeia-o.

Eu quero dar, Eu quero dar o meu Amor aos homens.

Eu quero ser por eles amado. Eles não mo aceitam e não Me amam.

Por ti quero que este amor seja incendiado em toda a humanidade, assim como por ti foi con­sagrado o mundo à minha Bendita Mãe.

Faz, esposa querida, que se espalhe no mundo todo o amor dos nossos Corações.

1/10/54

Palavras de Jesus à Alexandrina a um ano do seu falecimento

Alocução de Pio XII

(Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria)

Mensagem de 31 de Outubro de 1942.
Texto português e italiano em Osservattore Romano do dia 1 de Novembro.

Veneráveis Irmãos e amados Filhos:

«BENEDICITE Deum, caeli, et coram omni­bus viventibus confitemini ei, quia fecit vobiscum misericordiam suam» (Tob. 12, 6).

«Bendizei ao Deus do céu e glorificai-o no conspecto de todos os viventes, porque E1e usou convosco das suas misericórdias».

Mais de uma vez neste ano de graças subis­tes em devota romagem à montanha santa da Fátima, levando convosco os corações de todo o Portugal crente, para aí, nesse oásis embalsamado de fé e piedade, depositardes aos pés da Virgem Padroeira o tributo filial do vosso amor acrisolado, a homenagem da vossa gra­tidão pelos imensos benefícios ultimamente recebidos, a súplica confiada de que se digne continuar o seu patrocínio sobre a vossa Pá­tria de aquém e de além-mar, e estendê-lo à grande tribulação que atormenta o mundo.

Nós, que, como Pai comum dos fiéis, fa­zemos Nossas tanto as tristezas como as ale­grias de Nossos filhos, com todo o afecto da Nossa alma Nos unimos convosco para louvar e engrandecer ao Senhor, dador de todos os bens; para bendizer e dar graças Àquela por cujas mãos a munificência divina nos comu­nica torrentes de graças.

E tanto mais gostosamente o fazemos, por­que vós, com delicadeza filial, quisestes asso­ciar nas mesmas solenidades eucarísticas e im­petratórias o Jubileu de Nossa Senhora da Fá­tima e o vigésimo quinto aniversário da Nossa Sagração Episcopal: a Virgem Santa Maria e o Vigário de Cristo na terra, duas devoções profundamente portuguesas e sempre unidas no afecto de Portugal fidelíssimo, desde os primeiros alvores da nacionalidade, desde quando as primeiras terras reconquistadas, núcleo da futura nação, foram consagradas à Mãe de Deus como Terra de Santa Maria, e o reino, apenas constituído, foi posto sob a égide de S. Pedro.

1. Gratidão

«O primeiro e maior dever do homem é o da gratidão» (S. Ambrosii: De excessu fratris suit Sat. 1. I. n. 44-Migne PL t. 16 col. 1361).

«Nada há tão aceito a Deus, como a alma re­conhecida, que dá graças pelos benefícios recebidos» (cfr. S. Ioannis Chrys. Hom. 52 in Gen.-Migne PG t. 54 col. 460). E vós tendes uma grande dívida para com a Virgem, Senhora e Padroeira da vossa Pá­tria.

Numa hora trágica de trevas e desvaira­mento, quando a nau do Estado Português, perdido o rumo das suas mais gloriosas tra­dições, desgarrada pela tormenta anticristã e antinacional, parecia correr a seguro naufrá­gio, inconsciente dos perigos presentes e mais inconsciente dos futuros, — cuja gravidade aliás nenhuma prudência humana, por clari­vidente que fosse, podia então prever, — o céu, que via uns e previa outros, interveio piedoso e das trevas brilhou a luz, do caos surgiu a ordem, a tempestade amainou em bonança, e Portugal pôde encontrar e reatar o perdido fio das suas mais belas tradições de Nação fidelíssima, para continuar, — como nos dias em que «na pequena Casa Lusitana» não falta­vam «cristãos atrevimentos» para «a lei da vida Eterna dilatar», (Camões, Lusíadas, can­to VII, oitavas 3 e 14), — na sua rota de gló­ria de povo cruzado e missionário.

Honra aos beneméritos, que foram instru­mento da Providência para tão grande empresa!

Mas primeiro glória, bênção, acção de gra­ças à Virgem Senhora, Rainha e Mãe da sua Terra de S. Maria, que tem salvado mil ve­zes, que sempre lhe acudiu nas horas trágicas, e que nesta, talvez a mais trágica, o fez tão manifestamente que já em 1934 Nosso Pre­decessor Pio XI de imortal memória, na Carta Apostólica Ex officiosis litteris, atestava «os extraordinários benefícios com que a Virgem Mãe de Deus acabava de favorecer a vossa Pátria» (Acta Ap. Sedis, a. XXVI., 1934, p. 628). E ainda àquela data não se pensava no Voto de Maio de 1936 contra o perigo ver­melho, tão temerosamente próximo e tão ines­peradamente conjurado.

Ainda não era um facto a maravilhosa paz de que, apesar de tudo, Portugal continua go­zando e que, com todos os sacrifícios que exi­ge, sempre é imensamente menos ruinosa do que essa guerra de extermínio que vai asso­lando o mundo.

Hoje, que a tantos benefícios acresceram mais estes, hoje que a atmosfera de milagre que bafeja Portugal se desentranha em prodígios físicos e em maiores e mais numerosos prodígios de graças e conversões, e floresce nessa primavera perfumada de vida católica, prometedora dos melhores frutos, hoje com bem mais razão devemos confessar que a Mãe de Deus vos acumulou de benefícios realmente extraordinários; e a vós incumbe o sagrado dever de lhe renderdes infinitas graças.

E vós tendes agradecido durante este ano, bem o sabemos.

Ao céu devem ter sido gratas as homena­gens oficiais; mas devem-no ter comovido os sacrifícios das criancinhas, a oração e a pe­nitência sincera dos humildes.

Ao vosso activo estão consignadas nos li­vros de Deus:

– a apoteose da Virgem Nossa Senhora na sua romagem do Santuário da Fátima à Ca­pital do Império, durante as memorandas jor­nadas de oito a doze de Abril passado, talvez a maior demonstração de fé da história oito vezes secular da vossa Pátria;

– a peregrinação nacional de treze de Maio, «jornada heróica de sacrifício», que, por frios e chuvas e enormes distâncias percorridas a pé, concentrou na Fátima, a orar, a agradecer, a desagravar, centenas de milhares de peregrinos, entre os quais se destaca, cinti­lante de beleza renovadora, o exemplo da briosa Juventude católica;

– as paradas infantis da Cruzada Eucarís­tica, em que as criancinhas tão mimosas de Jesus, com a confiança filial da inocência, po­diam protestar à Mãe de Deus que «tinham feito tudo quanto ela pedira: orações, comu­nhões, sacrifícios.., aos milhares!» e por isso suplicavam: «Nossa Senhora da Fátima, agora é só convosco; dizei ao vosso divino Filho uma só palavra, e o mundo será salvo e Portugal livre e inteiramente do flagelo da guerra»;

– a preciosa coroa, feita de ouro e pedrarias, e, mais ainda, de puríssimo amor e generosos sacrifícios, que a treze do corrente no San­tuário da Fátima oferecestes à vossa augusta Padroeira, como símbolo e monumento perene de eterno reconhecimento.

Estas e outras belíssimas demonstrações de piedade, de que, sob a zelosa actuação do Episcopado, tem sido fértil em todas as dioceses e paróquias este ano jubilar, mostram bem como o fiel povo português reconhece agrade­cido e quer satisfazer a sua imensa dívida para com a sua celeste Rainha e Mãe.

2. Confiança

A gratidão pelo passado é penhor de con­fiança para o futuro. «Deus exige de nós que lhe rendamos graças pelos benefícios recebidos», não porque precise dos nossos agradecimentos, mas «para que estes o provoquem a conceder-nos benefícios ainda maiores» (cfr. S. Ioannis Chrys. Hom. 52 in Gen.-Migne PG t. 54 col. 460). Por isso é justo confiar que também a Mãe de Deus, aceitando o vosso rendimento de graças, não deixará incompleta a sua obra e vos continuará indefectível o pa­trocínio até hoje dispensado, preservando-vos de mais graves calamidades.

Mas, para que a confiança não seja presumi­da, é preciso que todos, conscientes das pró­prias responsabilidades, se esforcem por não desmerecer o singular favor da Virgem Mãe, antes, como bons filhos, agradecidos e aman­tes, conciliem cada vez mais o seu materno ca­rinho, — é preciso que, escutando o conselho materno que Ele dava nas bodas de Caná, façamos tudo o que Jesus nos diz (cfr. Io. 2,) e Ele diz a todos que façam penitência, paenitentiam agite (Matth. 4, 17) ; que emendem a vida e fujam do pecado, que é a causa principal dos grandes castigos com que a Jus­tiça do Eterno penitencia o mundo; que em meio deste mundo materializado e paganizan­te, em que toda a carne corrompeu os seus caminhos (Gen. 6, 12), sejam o sal e a luz que preserva e ilumina: cultivem esmeradamente a pureza, reflictam nos seus costumes a aus­teridade santa do Evangelho e desassombra­damente e a todo o custo, como protestava a Juventude católica em Fátima, «vivam como católicos sinceros e convictos a cem por cem»! Mais ainda: que, cheios de Cristo, difundam em torno de si ao perto e ao longe o perfume de Cristo, e com a prece assídua, particularmente com o Terço quotidiano, e com os sa­crifícios que o zelo generoso inspira, procurem as almas pecadoras a vida da graça e a vida eterna.

Então invocareis confiadamente o Senhor e Ele vos ouvirá; chamareis pela Mãe de Deus e Ela responderá: eis-me aqui! (cfr. Is. 58, 9). Então não vigiará debalde o que defende a cidade, porque o Senhor velará com ele e a defenderá; nem será mal segura a casa reconstruída sobre os alicerces de uma ordem nova, porque o Senhor a cimentará (cfr. Ps. 126, 1-2). Feliz do povo cujo Senhor é Deus, cuja Rainha é a Mãe de Deus. Ela intercederá e Deus abençoará o seu povo com a paz, compêndio de todos os bens: Dominus benedicet populo suo in pace (Ps. 28, II).

3. Súplica

Mas vós não vos desinteressais (quem pode desinteressar-se?) da imensa tragédia que atormenta o mundo. Antes quanto mais assinaladas são as mercês que hoje agradeceis a Nossa Senhora da Fátima, quanto mais se­gura é a confiança que n’Ela depositais relativamente ao futuro, quanto mais perto de vós a sentis, protegendo-vos com seu manto de luz, tanto mais trágica aparece, pelo con­traste, a sorte de tantas nações dilaceradas pela maior calamidade da história.

Temerosa manifestação da Justiça divina! Adoremo-la tremendo; mas não duvidemos da divina Misericórdia, porque o Pai, que está nos céus, não a esquece nem sequer nos dias da sua ira: Cum iratus fueris, misericordiae recordaberis (Hab. 3, 2).

Hoje, que o quarto ano de guerra amanhe­ceu mais sombrio ainda, num sinistro alastrar do conflito, hoje mais que nunca só nos resta a confiança em Deus e, como medianeira perante o trono divino, Aquela que um Nosso Predecessor, no primeiro conflito mundial, mandou invocar como Rainha da Paz.

Invoquemo-la mais uma vez, que só Ela nos pode valer! Ela, cujo Coração materno se comoveu perante as ruínas que se amon­toavam na vossa Pátria e tão maravilhosa­mente a socorreu; Ela que, condoída na pre­visão desta imensa desventura, com que a Justiça de Deus penitencia o mundo, já de antemão apontava na oração e na penitência o caminho da salvação, Ela não nos há-de negar a sua ternura materna e a eficácia do seu patrocínio.

Rainha do Santíssimo Rosário, auxílio dos cristãos, refúgio do género humano, vence­dora de todas as grandes batalhas de Deus! ao vosso trono súplices nos prostramos, se­guros de conseguir misericórdia e de encon­trar graça e auxílio oportuno nas presentes calamidades, não pelos nossos méritos, de que não presumimos, mas unicamente pela imensa bondade do vosso Coração materno.

A Vós, ao vosso Coração Imaculado, Nós como Pai comum da grande família cristã, como vigário d’Aquele a quem foi dado todo o poder no céu e na terra (Mt. 28, 18), e de quem recebemos a solicitude de quantas almas remidas com o Seu sangue povoam o mundo universo, a Vós, ao Vosso Coração Imaculado, nesta hora trágica da história humana, confiamos, entregamos, consagramos não só a santa Igreja, corpo místico do vosso Jesus, que pena e sofre em tantas partes e por tantos modos atribulada, mas também todo o mundo dilacerado por exiciais discórdias, abrasado em incêndios de ódio, vítima de suas próprias iniquidades.

Comovam-Vos tantas ruínas materiais e morais; tantas dores, tantas agonias dos pais, das mães, dos esposos, dos irmãos, das criancinhas inocentes; tantas vidas ceifadas em flor; tantos corpos despedaçados numa hor­renda carnificina; tantas almas torturadas e agonizantes, tantas em perigo de se perderem eternamente!

Vós, Mãe de misericórdia, impetrai-nos de Deus a paz! e primeiro as graças que podem num momento converter os humanos corações, as graças que preparam, conciliam, assegu­ram a paz! Rainha da paz, rogai por nós e dai ao mundo em guerra a paz por que os povos suspiram, a paz na verdade, na justiça, na caridade de Cristo. Dai-lhe a paz das armas e das almas, para que na tranquilidade da ordem se dilate o Reino de Deus.

Estendei a vossa protecção aos infiéis e a quantos jazem ainda nas sombras da morte; dai-lhes a paz e fazei que lhes raie o Sol da verdade, e possam connosco, diante do único Salvador do mundo, repetir: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade! (Luc. 2, 14).

Aos povos pelo erro ou pela discórdia se­parados, nomeadamente àqueles que Vos pro­fessam singular devoção, onde não havia casa que não ostentasse a vossa veneranda ícone (hoje talvez escondida e reservada para me­lhores dias), dai-lhes a paz e reconduzi-os ao único redil de Cristo, sob o único e verdadeiro Pastor.

Obtende paz e liberdade completa à Igreja Santa de Deus; sustai o dilúvio inundante de neo-paganismo, todo matéria; e fomentai nos fiéis o amor da pureza, a prática da vida cristã e o zelo apostólico, para que o povo dos que servem a Deus, aumente em mérito e em número.

Enfim, como ao Coração do vosso Jesus foram consagrados a Igreja e todo o género humano, para que, colocando n’Ele todas as suas esperanças, lhes fosse sinal e penhor de vitória e salvação (cfr. Litt. Enc. Annum Sacrum: Acta Leonis XIII, vol. 19, pág. 79), assim desde hoje vos sejam perpetuamente consagrados também a Vós e ao vosso Coração Imaculado, ó Mãe nossa, Rainha do Mundo: para que o vosso amor e patrocínio apresse o triunfo do Reino de Deus, e todas as gerações humanas, pacificadas entre si e com Deus, a Vós proclamem bem-aventurada e convosco entoem, de um polo ao outro da terra, o eterno Magnificat de glória, amor, reconhecimento ao Coração de Jesus, onde só podem encontrar a Verdade, a Vida e a Paz.

Na esperança de que estas Nossas súplicas e votos sejam favoravelmente acolhidos pela divina Bondade, a vós, dilecto Cardeal Patriarca e veneráveis Irmãos, e ao vosso Clero, para que a graça do alto fecunde cada vez mais o vosso zelo; ao Ex.mo Presidente da República, ao ilustre Chefe e aos membros do Governo e mais Autoridades civis, para que o Céu nesta hora singularmente grave e difícil continue a assisti-los na sua actividade em prol do bem comum e da paz; a todos os Nossos amados Filhos de Portugal continental, insular e ultramarino, para que a Virgem Senhora confirme o bem que em vós se há dignado operar; a todos e cada um dos Portugueses, como penhor das graças celestes, damos com todo o amor e carinho paterno, a Bênção Apostólica.

Nesta consagração está evidentemente a mensagem ida de Balasar. Um dia Pio XII há-de receber o P.e Humberto Pascoal, que lhe falará da Alexandrina. O Papa vai escutá-lo com enorme curiosidade[1]. Mais adiante, em conversa com o arcebispo D. António Martins Júnior, chamará a Alexandrina «aquela jóia que o mundo não conheceu»[2].

Recolha e ordenação dos textos por José Ferreira


[1] Veja-se Cristo Gesù in Alexandrina, página 511, nota.
[2] D. Bento Martins Júnior, numa visita a Balasar, dirigiu-se nestes termos aos balasarenses: «Trago-vos do Santo Padre Pio XII uma bênção apostólica no segundo ano da morte daquela jóia que o mundo não conheceu

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